narradores de nova contagem
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
Pensar a historia oral é permitir que a historia não se limite a burocracia dos arquivos publicos e aos documentos que privilegiam sempre os grande fatos, feitos e grandes herois. A historia oral entendida nessa perspectiva amplia a possibilidade de resgate da historia de pessoas que não estão registrados no livro de historia e nos documentos denominados de oficiais. Com efeito, a historia oral possibilita um novo olhar para fontes documentais em que o pesquisador investiga, na medida que, não somente os documentos inscritos são valorizados, mas, tambem, as falas e, principalmente, a memoria dos sujeitos.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Depoimentos sobre Nova Contagem
Eles precisavam de onde eu morava para fazer a Estação do Metrô. Aí mudei para o Riacho, aí precisaram de novo fazer rua, aí me jogaram aqui, nesse lugar que não tinha nada. Gostava de onde eu morava, é perto de tudo. (D. Expedita)
Eu vim por necessidade, morava em dois cômodos na casa de meus pais no bairro, Bernardo Monteiro. Aí fiquei sabendo que Newton Cardoso tava dando os lotes para Nova Contagem, aí viemos para cá. (D. Losmira)
O ônibus era difícil, tinha que descer lá em baixo e pegar ele lá no ABC. Eu descia a pé descalço e lavava meu pé dentro do córrego para entrar no ônibus. Aqui não tinha nada, tinha que ir no Eldorado ( D. Expedita)
Ficava desesperada, pois meu filho com febre de quarenta graus e eu ali parada, sem poder fazer nada. Muitas vezes no desespero ia a pé para o Eldorado a busca de um remédio. Era loucura porque na volta já tava de noite e eu não via nem palma de minha mão de tão escuro (D. Lucia)
Aqui era só mato, não tinha nada. Telefone a gente sabia que existia porque a gente ia no Eldorado. Os moradores recentes não valorizam Nova Contagem hoje, eles não viram na época, a noite única coisa que fazia era beber pinga. (Anderson Silva, 25/07/09/Nova Contagem)
Eu fazia pão e biscoito para vender. Mas a maioria pegava fiado e não pagava, mas não tinha problema, eu tava ajudando o próximo. Eu queria ver todo mundo bem. Era muito comum naquele tempo valorizar as pessoas, hoje ninguém liga para o próximo. (D. Zinha; 01/08/09/ Nova Contagem)
Eu tenho saudade daquela época, era bom demais, podia dormir de porta aberta que num tinha problema, era uma época muito gostosa. Todo mundo conhecia todo mundo, todo era amigo de todo mundo. Sinto falta da antiga Nova Contagem. (Zequinha, 17/07/09/ Nova Contagem)
Quando me interessei pelo lote, me falaram que precisava do Atestado de Bons Antecedentes, pois só queriam “gente de família” morando ali. Lá todo mundo era bem recebido, mas antes a gente conversava para saber a origem da pessoa. (D. Vilma, 15/07/09/ Nova Contagem)
A violência veio com a invasão, quando viemos era necessário o atestado de bons antecedentes, depois, entrava qualquer um, vinha gente de todos os lados. A favela Rato Malhado surgiu com essas invasões. (D.Vilma; 15/ 07/09/ Nova Contagem).
Mudei para cá em 1986, não tinha nada, foi um projeto de moradia no meio do mato. Quando cheguei tinha que colocar plástico nos pés para não sujar o sapato, era muito barro. Lembro de para Contagem de carona nesses caminhões de lenha, porque o transporte coletivo era péssimo. (Anderson Silva).
Via muita criança de Nova Contagem pedir no Eldorado atrás de comida. Via também muito preconceito na hora de um morador entregar o currículo em uma loja... na hora que o dona da loja ficava sabendo de onde ele veio, o dispensava (Irmã Marisa, 02/08/09/Nova Contagem).
Aqui é o melhor lugar para se viver. Aqui a gente compra fiado, conhece todo mundo, vai na casa dos vizinhos tomar café. É um lugar muito tranqüilo. Muita gente fica falando que aqui é violento, mas eu não acho, acredito que é o melhor lugar. (Zequinha)
Depoimentos colhidos pelos alunos do 2º ano /3º ciclo sobre Nova Contagem
“... aqui era tipo uma plantação de abóboras gigante, elas eram tão grandes que às vezes eram do tamanho de uma pessoa.” “... aqui se chama Nova Contagem porque as pessoas faziam uma contagem das abóboras lá e depois viam aqui para fazer uma recontagem.” (Evander, sala Vick Muniz)
“Faz 21 anos que meus pais morar aqui, eles moravam em Malacacheta/MG. Eles ganharam do projeto uma casa dada por Newton Cardoso.” “...meus tios estudaram na Escola Municipal Ápio Cardoso e cuidaram dela para que eu e meus irmãos estudassem.” (Erick Douglas, sala Vick Muniz)
“Meus avós, tios e tias vieram de Santa Maria do Suasuí/PR em busca de emprego e melhor condição de vida e eles encontraram. Meu avô diz que daqui ele não sai, daqui ninguém o tira.” (Isaque Costa, sala Vick Muniz)
“... aqui era muito difícil para os moradores. Não tinha água, era chafariz que fornecia água que ficava à longa distância de sua casa. Não tinha luz, era vela que se usava, meio de transporte era muito difícil, o ônibus que tinha era de uma em uma hora, eram muito barulhentos, caindo aos pedaços. Não tinha asfalto.” (Larissa Lorena, sala Vick Muniz)
“Minha mãe nasceu em João Pinheiro/MG e meu pai em Paineiras/MG, eles se conheceram na cidade de minha mãe e se mudaram para cá com o sonho da casa própria.” (Leandro Souto, sala Vick Muniz)
“... minha avó veio pra cá por que ela conseguiu uma casa aqui e também por causa dos lotes que eram grandes, eram mais fácil, pois tinha como fazer várias casas nos fundos.” “Muitos dizem que era melhor a Nova Contagem no passado, outros dizem que é melhor agora que está evoluindo, tem muito mais coisas que beneficiam a população. Tem hora que prefiro o passado de lembranças boas, tem hora que quero o futuro para ver como Nova Contagem vai estar.” (Alessandra Cristina, sala Vick Muniz)
“... minha mãe não tem nenhuma vontade de sair daqui, ela fala que é o cantinho dela.” (Carolina Meirelles, sala Vick Muniz)
“Há 20 anos nós moramos em Nova Contagem. Aqui a minha avó se sentiu bem. Ela fala que é aqui que Deus escolheu para ela.” “As pessoas falam que onde fica a nossa escola era um cemitério.” (Carolina Tamiris, sala Oswald de Andrade)]
“Falavam que não se podia ficar na rua à meia noite porque virava lobisomem.” (Isabel Cristina, sala Oswald de Andrade)
“Acordavam às quatro horas para pegar a água pois era o horário em que a água chegava nas torneiras, juntavam todas as latas e vasilhas possíveis da casa pois só teriam água no outro dia pela manhã. Ônibus só existia um, ele ia e voltava e as pessoas carregavam de tudo dentro do ônibus, inclusive animais.” “Havia apenas uma igreja católica no Retiro onde o padre vinha de 15 em 15 dias celebrar a missa.” “A energia veio a partir de 1986 e a água, de 1987.” (Mariana Gonçalves, sala Oswald de Andrade).
“Há muito tempo Nova Contagem era uma fazenda e tinha escravos, quem não queria trabalhar morria na forca, podia ser criança, adultos, idosos. Eles enterravam debaixo da terra. Já foram encontrados alguns restos mortais, acho que podem ser de escravos.” (Caroline Silva, sala Oswald de Andrade).
“Antigamente aqui existiam muitas fossas e bueiros abertos, quando no bairro chovia era só Deus para dar misericórdia, porque nenhum tipo de carro passava no local, todos os veículos se atolavam na lama. Hoje o bairro está ótimo, existem alguns bueiros, mas são poucos, não existem mais fossas e sim rede de esgoto, as ruas são asfaltadas, os postos desaúde são melhores agora, existem escolas por perto, com boas condições.” (Letícia Domingos, sala Vick Muniz)
“Há 30 anos atrás já existia o Ápio Cardoso, ele era bem feio e maltratado, a pintura era toda mal acabada, e não tinha quase nada de carteiras para os alunos, dizem que a escola parecia um presídio. Quando o Ápio Cardoso foi fundado o uniforme era uma blusa branca, com calça jeans.” (Michelle Rogrigues, sala Manoel de Barros)
“Meus pais vieram para cá porque a cidade de Esmeraldas é uma cidade muito difícil de conseguir emprego.” “Minha mãe estudou aqui no Ápio Cardoso quando tinha doze anos, as meninas usavam uma blusa com saia azul, os meninos usavam uma blusa, calça ou short azul.” (Hélen Souza, sala Manoel de Barros)
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